30 Perguntas: A Estrutura de Dados Por Trás

A interface do SBTI parece simples — 30 perguntas, 3 opções cada, vai clicando e pronto. Mas enquanto você clica "próxima", o sistema já está montando um modelo psicológico sobre você nos bastidores.

Primeiro, entenda a estrutura central: as 30 perguntas não estão em ordem aleatória. São distribuídas precisamente entre 15 dimensões psicológicas, 2 perguntas por dimensão. As dimensões vão de S1 a So3, na ordem: Eu (S1-S3), Emoção (E1-E3), Atitude (A1-A3), Ação (Ac1-Ac3), Social (So1-So3). Perguntas 1-2 correspondem a S1 (autoestima), 3-4 a S2 (clareza pessoal), e assim por diante.

Cada opção vale 1, 2 ou 3 pontos. Detalhe frequentemente ignorado: nem todas as perguntas têm as opções na ordem crescente. Algumas têm pontuação invertida — a primeira opção vale 3 e a última vale 1. Esse design existe pra impedir que alguém marque "tudo na primeira" ou "tudo na última" e manipule o resultado.

Após as 30 perguntas, o sistema tem 30 valores. A etapa seguinte é somar por dimensão — as 2 perguntas de cada dimensão somadas geram a pontuação bruta. Como cada pergunta vai de 1 a 3, a soma de 2 perguntas fica no intervalo de 2 a 6. Essas 15 pontuações brutas são a fundação de todo o resultado.


De Pontuação a Nível: Classificação em Três Faixas

Com as pontuações brutas em mãos, o próximo passo é classificá-las. A lógica é simples a ponto de surpreender:

  • 2-3 pontos → L (Low, Baixo)
  • 4 pontos → M (Medium, Médio)
  • 5-6 pontos → H (High, Alto)

Repare na distribuição: L cobre 2 valores (2 e 3), H cobre 2 valores (5 e 6), mas M cobre apenas o 4. Isso significa que a probabilidade de cair em M é a mais baixa — suas duas perguntas precisam dar exatamente 1+3 ou 2+2. Na prática, M aparece com menos frequência do que L ou H.

Essa é uma escolha de design deliberada. O SBTI evita propositalmente a "armadilha do meio-termo" — não deixa todo mundo ficar no centro, empurra você pras pontas. Isso torna o perfil final mais marcante, com mais "personalidade", e mais adequado pra virar print nos Stories.

Exemplo: se nas perguntas de S1 (autoestima) você marcou 2 e 3 pontos, soma 5, classificação H. Em E2 (investimento emocional) marcou 1 e 2, soma 3, classificação L. Após classificar as 15 dimensões, você tem uma sequência de 15 letras separadas por grupos: HMH-LML-HHM-LMH-HML. Essa sequência é o seu "DNA de personalidade".


Matching de Padrão: Seu DNA Contra 25 Modelos

Com seu DNA de personalidade pronto, o sistema precisa compará-lo com os 25 DNAs padrão dos tipos regulares e encontrar o mais parecido.

Cada tipo tem uma sequência de 15 posições predefinida. CTRL (O Controlador) tem um padrão quase todo H — é o tipo que "puxa tudo pra cima". DEAD (O Morto) tem quase tudo L — tudo no mínimo.

O cálculo usa distância de Manhattan. Primeiro, converte L/M/H em números: L=1, M=2, H=3. Depois compara sua sequência com a do tipo padrão, posição por posição, somando os valores absolutos das diferenças.

Exemplo concreto: seu padrão é HHL-MHH-MLH-HHM-HLH, em números 3,3,1-2,3,3-2,1,3-3,3,2-3,1,3. Comparando com CTRL 3,3,3-3,2,3-2,3,3-3,3,3-2,3,2: somando todas as diferenças absolutas posição a posição, a distância total é 11.

Converte em similaridade: max(0, round((1 - 11/30) × 100))% = 63%. A distância máxima teórica é 30 (15 dimensões com diferença máxima de 2 cada), então divide por 30 pra normalizar. Quanto menor a distância, maior a similaridade.


Ranking, Reserva e Aquela Dose de Cachaça

Depois de calcular a distância pra todos os 25 tipos, o sistema ordena do menor pro maior — o tipo com menor distância é seu melhor match. Se dois tipos empatam em distância, desempata por "dimensões exatas" (quantas posições são idênticas).

Mas antes de anunciar o resultado, existem duas travas de segurança:

A primeira é o limite de similaridade. Se seu melhor match tem similaridade abaixo de 60% — ou seja, nem o tipo mais parecido chega a 60% — o sistema decide que "nenhum molde te cabe" e te joga pro HHHH (O Risonho Bobo). É um "fallback" de engenharia: garante que qualquer padrão de respostas gere um resultado, nunca uma página de erro.

A segunda trava é cronologicamente anterior: a verificação DRUNK. Depois das 30 perguntas oficiais, aparece uma pergunta extra sobre bebida. Se você ativa o "caminho do bêbado" — primeiro passando por uma pergunta de 4 opções, depois por uma de confirmação de 2 opções — o sistema ignora completamente todo o matching de padrão e te dá DRUNK direto. Suas 30 respostas anteriores? Foram pro lixo. Esse é o easter egg original do SBTI como "ferramenta pra convencer amigo a parar de beber".

O fluxo completo: verifica DRUNK primeiro → se não ativou, faz matching → melhor match ≥ 60% usa ele → abaixo de 60% dá HHHH.


Codificação: 16 Dígitos no Link de Compartilhamento

Depois do resultado, uma última etapa: codificar tudo num formato compartilhável.

O link de compartilhamento do SBTI esconde uma string de 16 dígitos. Os primeiros 15 são suas pontuações brutas nas 15 dimensões (um dígito cada, de 2 a 6). O 16º é a flag de DRUNK (0 ou 1). Exemplo: 5342364553423420 significa S1=5, S2=3, S3=4, E1=2, E2=3, E3=6… DRUNK=0.

Essa codificação vai no parâmetro ?result= do link. Quando seu amigo abre, o sistema reconstrói toda a pontuação dimensional e o resultado a partir desses 16 dígitos — sem precisar refazer o teste. É por isso que compartilhar resultado no SBTI é tão fluido: clicou, viu, e já pode fazer matching de CP na sequência.

Isso também significa que seu link de compartilhamento contém todas as suas 15 pontuações brutas. Quem entende de técnica pode ler seu perfil psicológico completo direto da URL. Num certo sentido, esses 16 dígitos carregam mais informação que o nome do seu tipo — é um snapshot psicológico comprimido numa string discreta.


Por Que Entender o Algoritmo Importa

Alguém vai perguntar: pra que saber esses detalhes? Eu só quero fazer o teste e postar.

O valor de entender o algoritmo não é "jogar melhor", é interpretar corretamente o que o resultado significa e o que não significa.

Sabendo que cada dimensão tem só 2 perguntas, você entende por que o resultado muda no reteste — mudar uma resposta pode fazer uma dimensão saltar de H pra L, alterando todo o matching. Sabendo como funciona a distância de Manhattan, você entende a diferença real entre "73% de match" e "95% de match" — o primeiro significa várias dimensões fora do padrão, o segundo é quase perfeito.

Sabendo do limiar de 60% do HHHH, você entende por que esse tipo é tão raro — os 25 padrões já cobrem a vasta maioria das combinações possíveis de dimensões.

O algoritmo do SBTI não é complexo, mas é elegante. Usa o mínimo de dados (30 escolhas) pra construir um perfil de 15 dimensões, depois aplica o cálculo de distância mais simples possível pra te conectar com um rótulo que tem graça, tem imagem e dá vontade de printar. Todo o sistema, do input ao output, foi desenhado com um único objetivo: te dar algo pra compartilhar.